1. Observe e escute

Marshall B. Rosenberg diz: “Quando nos concentramos em esclarecer o que está sendo observado, sentido, e necessário ao invés de diagnosticar e julgar, descobrimos a profundidade de nossa própria compaixão.”

Observar e escutar a criança. Pode parecer super fácil, mas não é. Não e uma observação despretensiosa, temos pretensões sim! O objetivo é de conhecer mais a criança. Como pesquisadores observam. Com um olhar aguçado. Como apaixonados escutam e enxergam, com olhar amoroso. Essa observação e escuta tem a ver com uma conquista, uma necessidade de conhecer mais e aprender mais sobre a criança, conhecer seus medos, seus gostos e suas vontades quase secretas. E qual um grande caminho para isso? Brincar! No brincar a crianças abre caminhos para falar de si, das suas angustias e num caso de questões mais profundas, no brincar você pode ter pistas para seguir em frente.

 

  1. Fale e pergunte sobre sentimentos

Está aí uma coisa que é bem difícil para adultos: falar dos seus sentimentos. Além de termos sido uma geração que ouviu as frases “engole o choro”, “criança não tem querer”, “se você não parar de chorar vou te dar motivos para chorar”. Ainda temos pouca ou nenhuma educação emocional. Aprendemos análise sintática e morfológica nas escolas (nada contra) mas não aprendemos o que sente o colega que sofreu bulling e que toda a turma inclusive achou engraçado. E nós podemos e precisamos trazer essa educação emocional para nossos filhos. Um caminho é pelo exemplo. Falamos de maneira constante como nos sentimos e incentivar que o mesmo aconteça com seus filhos. Não rotular emoções feias e bonitas. Deixar que eles digam quando sentem raiva, medo, estranhamento. E uma forma de incentivar isso é o uso de diários (para crianças maiores) e cadernos de desenho dos sentimentos para crianças menores.

 

  1. Necessidades são uma grande chave

Ajudar a criança descobrir o que ela necessita é uma tarefa bem  profunda mas os pais são as pessoas mais indicadas para isso. Quando a criança veio ao mundo tivemos que aprender a entender o que significava cada tipo de choro. E em resumo, aprendemos das necessidades da criança com isso. Com o crescimento da criança e a formação de sua personalidade, cada vez as crianças passam a ter suas próprias necessidades. Lembre-se como diz Marshall B. Rosenberg: As análises que fazemos dos outros são, na verdade, expressão das nossas próprias necessidades e dos nossos próprios valores.

Isso é muito mais fácil quando a gente permite que a criança possa ter gostos e interesses muito diferentes dos nossos. Mas ela é MINHA  filha ou é o MEU filho, como pode pensar tão diferente? Pode porque ela é outra pessoa  e tem desejos, anseios, vontades diferentes das nossas. E se você chegou até aqui com uma criança com pontos de vista muito diferentes dos seus que bom! É um forte sinal que você ofereceu um espaço seguro para que ela possa se expressar e ser quem é. Além disso você tem grandes chances de ter dado autonomia para a criança e ela teve por meio da sua ajuda, a coragem para fazer as próprias escolhas. E acredite, na vida adulta você vai achar isso incrível.

  1. Ajude a criança olhar o próximo

Ter ofertas de olhar novas realidades, diferentes ou iguais a sua ajuda muito a desenvolver a empatia. E oportunizar isso é muito importante para a formação do repertório emocional da criança. Uma dica é participar de campanhas de doação (de agasalhos por exemplo) e inclusive, se possível ir com a criança até os locais de entrega.

 

  1. Admita estar errado quando você erra

Uma coisa que queremos quando a criança faz algo errado é que ela peça desculpas imediatamente. Mas nós adultos somos capazes de admitir nossos erros e voltar atrás quando não agimos da melhor forma? É importante verbalizar o nosso erro, nos desculparmos e dizer ainda que é assim que gostaríamos que a criança agisse quando algo de errado acontecesse. Às vezes a dificuldade de fazer isso é uma dificuldade de mostrar nossa vulnerabilidade. Mas é tão transformador quando desconstruímos a perfeição, isso nos conecta com as pessoas. Como diz Brené Brown: É preciso muita coragem para ser imperfeito.

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  1. Olhe as coisas com outros olhos e encante-se!

Se a criança está te dizendo que um amontoado de legos numa bacia é uma sopa, acredite nela.  Tome a sopa ( de faz de conta) e permita-se ser criança também. Acostume-se a surpreender-se com o ponto de vista da criançassobre o mundo.Ela é uma aprendiz dedicada e acredite, ela pode estar certa. Continue a admirar a chuva, o por do sol as poças de lama e a vida que acontece além do mundo de boletos e obrigações adultas. Vai fazer muito bem para você e para sua criança. Um dos trechos escritos por Montessori, para a gente lembrar:

 “Frequentemente as crianças pequenas manifestam interesse por coisas que não tem o mínimo atrativo ou interesse para os adultos. Já dissemos que ela é uma exploradora. Agora, ela estará mais interessada em detalhes, em coisas mais banais como uma minhoca e um caracol. Descobre primeiro uma coisa, depois a outra e poderia caminhar assim, de descoberta em descoberta , por quilômetros. O ambiente parece convidar a criança a seguir em frente, de acordo com o seu interesse”

Veja maneiras de ensinar e aprender na rua, na calçada, nos postes, nos cartazes, nas edificações e com cada pessoa que passa por você. No dia a dia, faça várias atividades, mas procure partir dos interesses apresentados pela criança. Então, tudo pode ser  motivo para uma atividade. Desde uma formiga até a luz do luar. O som dos carros, as luzes da cidade, as conversas em família, absolutamente, tudo serve de gancho para uma pesquisa, exploração ou descoberta.

Plantar sementes de lembranças lindas no coração do seu filho.  Quero um dia que ele veja uma cena de uma mãe carinhosa com seu filho e possa pensar em vocês.  Que você esteja nas suas lembranças de infância. Conheça  um pouco mais a cada dia, aprendam juntos sobre tudo que existe, preencha seu coração de felicidade e certeza de que tudo vale a pena.

 
Ariane Osshiro tem 34 anos de idade, é administradora por formação  e  facilitadora de Comunicação Não Violenta, é consultora do brincar e coach materna.  Mãe de um alegre garotinho, o Pedro, de 7 anos, que a fez mergulhar de cabeça no mundo da maternidade.   É devoradora de livros, prefere alimentos salgados aos doces, gosta de batom vermelho, sorrisos escancarados e de olhares que acolhem. Como muitas mães dessa geração, é uma apaixonada por informações e tenta trilhar um caminho de equilíbrio e lucidez na inebriante aventura de criar um filho. Aos 16 anos, descobriu a veia do empreendedorismo e, desde então, não parou mais de trabalhar. Com a maternidade, desejou dar novos rumos e um sentido diferente ao trabalho, relacionando-o a causas que dão significado para o que pensa e sente. Além disso, pela necessidade de aprender mais e de formar uma rede de contatos que pudesse combater o isolamento materno, tornou-se empreendedora social na Aldeia. Tem também a Ari Osshiro consultoria. Para entrar em contato: (67) 984091581

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