Quem nunca se deparou com uma criança que come sempre as mesmas coisas e se recusa veementemente a provar novos alimentos? Um prato típico para elas extermina qualquer tempero verdinho, a salada sai da mesa e os coloridos nem pensar (salvo os doces repletos de corantes artificiais), com eles uma refeição em paz normalmente deve incluir batatinha frita, frango e macarrão (sem molho) ou arroz branco, e só, nada entra e nada sai desse prato.

Esse comportamento é muito comum, e toda mãe já deve ter lidado com ele. É natural que as crianças tenham fases de menor apetite, quando a comida deixa de ser interessante, afinal, elas tem um mundo para desbravar. Quando essa fase de descobertas se inicia a ingestão das crianças tende a diminuir e os pais muito preocupados, se não tiverem uma orientação que os prepare para esse momento, podem acabar cometendo alguns erros que reforçam um comportamento monótono.

Além de ser uma fase de mais descoberta e brincadeiras, é muito comum entre 1 e 5 anos, que os pais ofereçam porções grandes, incompatíveis com a necessidade da criança, que acaba não terminando as refeições e gerando angustia e ansiedade na família. Os pais inseguros acham que o filho não está comendo direito e como uma forma de aumentar a ingesta da criança passam a insistir demais ou forçar o consumo até “raspar o prato”. Quando não recorrem a esse método acabam propondo trocas que incluam os alimentos preferidos como uma forma de incentivá-las a comer, e é aí que surge o arroz branquinho, o macarrão e a batata frita “FOREVER”.

Essas trocas alimentares são a principal causa das crianças seletivas. Quando os pais na ansiedade oferecem como substituição os alimentos preferidos, ou retiram tudo que a criança desgosta, o que geralmente desaparece da mesa são as verduras, legumes e frutas, afinal, “comida de verdade” não têm propaganda e não vem com o brinquedinho do personagem, é uma batalha injusta.

Não é difícil vermos casas em que há sempre dois almoços, o da família e o da criança seletiva. Nessa hora o coração aperta e a vontade é fazer a comida do jeito que eles vão gostar, mas fazendo isso a tendência é que as restrições sejam cada vez maiores.

A recomendação é clara, os pais decidem o que estará na mesa e a criança escolhe as quantidades. No início ela pode se recusar a comer tudo que foi servido, mas não se desespere. Os pais precisam informar que o almoço do dia será aquele e ela permanece na mesa durante a refeição (sem ameaças, sem castigo, sem insistência). O melhor incentivo é o exemplo, façam uma refeição tranquila em família. Enquanto ela estiver à mesa verá os pais consumindo o cardápio do dia e mesmo que no momento se recuse a provar, despertará o interesse para uma próxima oportunidade. Se ao fim da refeição a criança escolher não provar nada, ela estará autorizada a comer na próxima refeição.

Precisamos lembrar de alguns pontos para ter segurança de que a melhor ação é não ceder aos desejos deles. As crianças são alvo fácil da publicidade e não tem maturidade para escolher que alimento é melhor, os pais tem esse poder. Muitas escolhas feitas pela criança não são por aversão a um alimento, mas por medo de desgostar. É muito comum na faixa etária pré-escolar, que as crianças tenham medo de provar novos alimentos, então passam a recusar qualquer item diferente.

Outra dica é incluir o alimento recusado no meio da refeição, entre as colheradas, feita a refeição mostre que ele comeu o que estava no prato, explique da importância para a saúde desse alimento e dê parabéns por ele ter experimentado, o reforço positivo nesse processo é fundamental.

O caminho com certeza não é fácil, mas é possível, por meio da brincadeira, das histórias lúdicas e da participação das crianças na escolha dos alimentos e no preparo eles passam a ter mais contato com o desconhecido, diminuindo a recusa inicial. Com carinho, paciência e amor o cardápio colorido vai se implementando, só não desista!

Luana Carolina S. Leite

NUTRICIONISTA GRADUADA PELA UFMS

E PÓS-GRADUANDA EM NUTRIÇÃO ESPORTIVA FUNCIONAL

FACEBOOK @luanaleitenutricionista

Sobre o Autor

Nutricionista, graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, pós graduanda em Nutrição Esportiva Funcional. Atuo na área clínica propondo alternativas mais saudáveis pela alimentação natural. Amo o que faço. A minha paixão é fazer a diferença na vida das pessoas mudando a forma como elas enxergam a comida e os hábitos de vida. Acredito que a alimentação é reflexo de um conjunto de fatores e quando equilibrada proporciona bem estar e qualidade de vida, contribuindo com a verdadeira saúde! Sigo a nutrição comportamental, sem modismos, e busco contribuir com o desenvolvimento da alimentação familiar desmistificando temas e ajudando a solucionar dúvidas e angústias dos pais e mães. E que com o resgate de uma alimentação mais natural possam ser muito mais felizes e conscientes da alegria que é nutrir boas escolhas diariamente.

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