Conheço muita gente que entre em desespero com as mentiras das crianças! De fato este não é um lugar confortável para nós pais, mas ele pode se tornar mais leve se entendermos o porquê, e como isso acontece na cabecinha das crianças! Vamos lá!

Até os 04 anos aproximadamente a organização do pensamento infantil ainda acontece de forma a misturar o imaginário e a realidade. As crianças criam e imaginam situações que gostariam que tivessem acontecido ou justamente o contrário. É quando a criança verbaliza a “mentira” que os adultos ficam de cabelo em pé e se apresam a fazer um julgamento de caráter sobre aquele pequeno. Costumam ficar preocupados e receosos quanto à evolução da situação. Como pais, precisamos sim, sermos vigilantes e atentos, mas cuidado com a medida! Nesta fase a criança busca satisfazer sua necessidade, sem desagradar ninguém, por isso ela encontra na fantasia a fórmula ideal para unir esses contextos.  Na criança isso não tem a ver com valores, não quer dizer que está sendo maldoso, dissimulado e menos ainda que É UM MENTIROSO, estes são pensamentos do mundo adulto. Nossas crianças estão em formação e perpetuar ou não esse comportamento tem muita mais relação com a forma com que tratamos, do que com SER algo! Rótulos como esse, afastam nossos filhos de nos, além de não fazer nem um pouquinho bem para autoestima!

Com muito afeto e cuidado precisamos ir delimitando esses espaços de realidade, atentos sempre a não colocar uma carga exagerada. Boas conversas, exemplos e carinho, costumam funcionar muito melhor do que broncas e castigos opressores.

O tempo vai passando, e pode ser que mentiram continuem acontecendo, neste ponto volto a lembrar, que a função da maternidade e paternidade é constituída de muita repetição, é através dela que vamos encurtando os caminhos. Filhos que desde muito cedo sentem que podem contar com seus pais, que serão ouvidos e compreendidos, se sentem mais seguros para lhes contar a pior das verdades. ATENÇÃO, escutar seus filhos e suas necessidades não quer dizer atendê-las sempre, mas atendê-las se for algo possível e sem impacto prejudicial. Por que não? Muitas vezes disparamos não´s aleatórios, sem se quer ouvir e pesar a possibilidade de um sim.  Pode ser que seu filho faça da mesma forma, somente não te conte!

O mesmo pode acontecer com aqueles que atribuem castigos muito autoritários e severos, a criança nutrirá por você medo, e certamente quando ela errar (por que erramos),  irá mentir temendo da punição. Conversar sobre consequências e permitir que a criança assuma as suas, é um caminho muito mais formador do que qualquer “boa surra” (se é que existe)!

Ensinamos nossos pequenos que precisamos ser transparentes com os outros e sobre tudo conosco. É libertador quando uma criança percebe que pode ser quem ela é, com seus pais, por que ali ela é aceita e amada ainda que imperfeita. Aprende a pagar o preço de seus erros, mas segurando a mão de quem se ama!

5 dicas para lembrarmos e conduzirmos esses momentos difíceis:

1- Lembrar que a mistura entre fantasia e realidade, nas crianças, não significa ser mentiroso, ou falta de caráter.

2- Exercitar a escuta das necessidades da criança e identificar o que é possível ser permitido e o que é inegociável. Somos peritos em não’s gratuitos que podem incentivar a mentira.

3- Tenha claros seus valores familiares e modelos que as crianças vêm seguindo. Ensinar sobre verdade, é vivê-la. Pequenas mentiras são pequenos tijolos, eles também constróem!

4- Chamar a atenção significa colocar atenção sobre algo, isso pode ser feito de inúmeras formas. Nem sempre as efetivas são as mais duras inicialmente. Sofrer consequência é diferente de ser punido.

5- Oportunize a verdade e não o contrário. Se você sabe que algo aconteceu, não promova jogo para “pegá-lo”! Valorize a verdade e fortaleça sempre esta ideia. Crescermos quando percebemos que fizemos a coisas certa. Após atitude inadequada, não precisamos empurrar nossos filhos para a mentira, mas estimula-los a reconhecerem suas falhas.

Jheruza Duailibi é mãe do Murillo (10 anos) e do João Antônio (7 anos). É Coach parental, ajuda famílias a atingirem sua melhor performance dentro de casa, frequentemente nos preocupamos com nossos resultados profissionais e não paramos para pensar que nosso maior projeto e desafio, são nossa família. Tem formação acadêmica em Comunicação Social. Pós-graduação em Comércio Exterior e Marketing Internacional pelo Instituto Europeu de Ensino Superior (Madri – Espanha) e é formada em COACHING pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). Especializada em Coaching infantil – habilitada ao atendimento de crianças, famílias e professores – pela Rio Coaching. www.livingcoaching.com.br

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