A Comunicação Não-Violenta (CNV) é, no meu ponto de vista, um  delicioso desafio. É como se fôssemos aprender uma nova língua. Precisamos pensar de maneira diferente para construir as frases e conseguir transmitir a mensagem. É como se fôssemos transportados para um país de compaixão e respeito.

Observação e escuta

Montessori diz, em A Criança:

“O adulto não tem compreendido a criança e o adolescente; em consequência, trava contra eles uma luta perene. O remédio não consiste em fazer o adulto aprender alguma coisa ou integrar uma cultura deficiente. Não. É preciso partir de uma base diferente. E necessário que o adulto encontre em si mesmo o erro ignorado que o impede de ver a criança.”

O  primeiro  passo que a CNV traz para nós é o uso da observação (e eu me permiti acrescentar aqui a escuta). Uma observação sem interpretações e julgamentos é muito importante para nos conectarmos ao outro. Tão simples assim dizendo, mas tão difícil de executar muitas vezes. Rotulamos as atitudes e a criança em si com muita facilidade e com isso passamos a enxergar apenas o personagem que criamos, e até por vezes nos espantamos se ela age diferente do “personagem”. Além disso, muitas das vezes a nossa escuta é contaminada pelos nossos julgamentos e passamos a ouvir apenas para reconfortar nossas certezas

 

Adulto Preparado

Para Marshall Rosenberg, autor da Comunicação não Violenta

“Quando nós ouvimos os sentimentos e as necessidades de outra pessoa, nós reconhecemos nossa humanidade comum.”

Um bom caminho para se tornar o adulto preparado que Montessori menciona no contexto de educação é reconhecermos nossa humanidade e não cobrar do outro o nosso padrão de perfeição. Brené Brown traz luz ao nosso nível de cobrança interno e para o outro quando menciona em seus estudos  que “é preciso muita coragem para ser imperfeito.”

Nesse contexto, recebendo erros com tratativas amorosas e assim tratando a criança com compaixão e respeito podemos auxiliá-la em seu desenvolvimento completo e guiar o caminho de evolução e crescimento e desabrochar de todas as fases.

 

Educação para paz

O foco para a paz é muito importante para as práticas  montessorianas. Partindo desse princípio  há várias práticas para oferecer ajuda  as crianças  no incentivo de encontrarem palavras  e  maneiras de  solucionar conflitos. Uma prática bem comum do método Montessori e o uso do “ tapete da paz”, nele as crianças são estimuladas a resolver os próprios problemas expressando seus sentimentos, usando expressões como “Eu me senti…” e se envolvendo em uma escuta respeitosa.  Cada um tem a sua vez de falar  e geralmente é utilizado um objeto que sinaliza isso, pode ser um ramo de flor por exemplo. Nessa prática o professor é coadjuvante, intervém  e orienta somente se for necessário. No contexto da Comunicação não Violenta chamamos isso de escuta empática e nas conversas seguimos os tópicos: observação, sentimentos, necessidades e pedido.

A CNV é de maneira bem resumide  uma forma  de comunicação mais profunda com você mesmo e as crianças. Pode ser difícil no início, mas as crianças aprendem com facilidade falar de seus sentimentos e necessidades e ser ouvido e visto nos sentidos integrais das palavras  abastecem o tanque emocional dos  pequeninos e dos adultos também. A partir desse clima emocional mais propício à conexão,  há grandes desafios mas também é criada uma atmosfera em que todos conseguem ver juntos um caminho de compaixão e m meio as dificuldades cotidianas. Nem sempre vamos acertar o tom e as palavras, mas a tentativa de acerto é por si só, um caminho sem volta para uma grande melhoria nas nossas relações.

 

Ariane Osshiro tem 34 anos de idade, é administradora por formação  e  facilitadora de Comunicação Não Violenta, é consultora do brincar e coach materna.  Mãe de um alegre garotinho, o Pedro, de 7 anos, que a fez mergulhar de cabeça no mundo da maternidade.   É devoradora de livros, prefere alimentos salgados aos doces, gosta de batom vermelho, sorrisos escancarados e de olhares que acolhem. Como muitas mães dessa geração, é uma apaixonada por informações e tenta trilhar um caminho de equilíbrio e lucidez na inebriante aventura de criar um filho. Aos 16 anos, descobriu a veia do empreendedorismo e, desde então, não parou mais de trabalhar. Com a maternidade, desejou dar novos rumos e um sentido diferente ao trabalho, relacionando-o a causas que dão significado para o que pensa e sente. Além disso, pela necessidade de aprender mais e de formar uma rede de contatos que pudesse combater o isolamento materno, tornou-se empreendedora social na Aldeia. Tem também a Ari Osshiro consultoria. Para entrar em contato: (67) 984091581

Sobre o Autor

Mãe apaixonada da Júlia e da Isadora, Jornalista, apaixonada pela profissão, por livros, fotografia e por seus blogs. Descobriu um mundo totalmente novo depois da maternidade, se apaixonou por ele e veio os blogs, novos trabalhos, novas paixões e uma nova e emocionante forma de ver e viver a vida.

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