Depressão, solidão, angústia… As pessoas estão em sofrimento, precisando e desejando acolhimento, precisando serem vistas, notadas e ouvidas. Nisso tudo nos escapa um detalhe: crianças são pessoas? 

Pois é, por que é que tratamos com seriedade os problemas e as dores do adulto e quando nossas crianças são atingidas tratamos como se fosse um “mi mi mi” infantil? Precisamos aprender a olhar verdadeiramente para nossos pequenos, ouvir seus sentimentos e ensiná-los sobre eles. Não precisamos ter todas as respostas mas precisamos nos mostrar disponíveis até para dizer: “Não sei o que fazer, mas podemos descobrir juntos!”

Pais possuem muita dificuldade em abordar verdadeiramente alguns assuntos com seus filhos, complicam buscando fórmulas mirabolantes e infalíveis quando na realidade seria somente ser claro, verdadeiro e afetuoso! É só isso!
Quando surgem “jogos” e desafios na internet, como o  desafio do desodorante ou a baleia azul, todos se mobilizam em um movimento desesperado para alertar seus filhos, compreendo, por que fiz o mesmo com o mesmos, mas não podemos nos esquecer que talvez haja uma raiz do problema. Hoje pode ser um jogo virtual, mas amanhã surgirão outras questões e o fato é saber o quanto estamos criando filhos emocionalmente equilibrados, capazes de se auto-regular, aptos a lidar com as dores e as perdas que a vida lhe oferecer. Não podemos evitar que o mundo se apresente a eles (e que bom) mas podemos prepará-los em seu mundo interior para gerenciar o exterior. Precisamos perceber nossas crianças e o que está acontecendo com elas, isso não tem nada a ver com mimá-los excessivamente ou torná-los “reizinhos” cheios de vontade, é absolutamente o contrário. Os tempos mudaram, o mundo mudou, o acesso a informação, as tecnologias e não pode existir nada mais retrogrado do que dizer: “O que falta é chinelos para as crianças de hoje! ” Na minha época que era bom!” E coisas deste tipo! Em outros tempos as crianças abriam os olhos com 7 dias e hoje nascem quase falando! É como retirarmos os computadores das empresas e colocarmos máquinas de escrever, afinal funcionavam tão bem!!!!!

Vamos abrir a cabeça, acolher com doçura e firmeza nossas crianças, ensiná-las a viver, a se frustrar e a se levantar, a se responsabilizar. Não vamos terceirizar nosso papel de pai ou mãe. Vamos encaminhá-los sim, a uma terapia, psiquiatra, psicólogo ou coach de acordo com a necessidade, mas não na tentativa de corrigir um problema que talvez não esteja na criança e sim no que esta sendo transmitido e oferecido a ela! Conexão entre pais e filhos, proximidade, abertura, diálogo, afeto e empatia, serão sempre ingredientes mágicos na resolução de muitas questões. Antes de tudo, precisamos enxergar nossos filhos, conhecer quem são estas pessoas e acolher seus sentimentos. Construir ser humano, está muito mais além do que uma carteira de vacinação em dia, comer brócolis com frequência e estar com unhas limpas e cortadas. 

O desenvolvimento saudável de um ser humano passa por três pontos, igualmente importantes. Desenvolvimento biológico (1), Afetivo (2)  e social (3) o ideal é que caminhem lado a lado e que aconteçam para a criança de forma integrada e simultânea. Não é raro encontrarmos crianças extremamente bem cuidadas biologicamente, intelectualmente preparadas, mas pouco desenvolvidas afetivamente. Estes três ponto é que fazem a engrenagem rodar. Quando temos uma das pontas menos “cuidada” às pendências aparecem com o tempo.

Agora você deve estar se perguntando: Como é que eu vou dar conta de tudo????? Também sou mãe e o que posso te dizer é que, de verdade não sei se estou dando conta de tudo, só garanto a constante tentativa. Provavelmente você também não saberá, mas tente!

Jheruza Duailibi é mãe do Murillo (10 anos) e do João Antônio (7 anos). É Coach parental, ajuda famílias a atingirem sua melhor performance dentro de casa, frequentemente nos preocupamos com nossos resultados profissionais e não paramos para pensar que nosso maior projeto e desafio, são nossa família. Tem formação acadêmica em Comunicação Social. Pós-graduação em Comércio Exterior e Marketing Internacional pelo Instituto Europeu de Ensino Superior (Madri – Espanha) e é formada em COACHING pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC). Especializada em Coaching infantil – habilitada ao atendimento de crianças, famílias e professores – pela Rio Coaching. www.livingcoaching.com.br

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