A comunicação não violenta tem 4 passos: observação, sentimentos, necessidades e pedidos. E de forma muito prática, econômica e de relativa facilidade de aplicação nos ajuda a solucionar problemas cotidianos. O grau de dificuldade na aplicação está no quanto estamos dispostos a nos escutar internamente. O quanto queremos ouvi o outro de fato. O quanto estamos comprometidos com a compreensão da mensagem do outro e não com a nossa interpretação e julgamento.

Vamos passar pelos 4 passos juntos? De maneira bem simples e clara?

Observação
É o que de fato aconteceu. O que poderia ter sido filmado. Sem interpretações, sem discursos inflamados. O fato, objetivo. Por exemplo: Ele derrubou todo o leite no carro. Quando passamos a colocar nossos julgamentos interpretações, fica assim:
“ele fez de propósito, virou o leite no carro para me dar trabalho”
É muito comum criarmos muita resistência na comunicação no primeiro formato.

 

Sentimentos
São uma descrição de como estamos nos sentindo em uma palavra. Sem colocar o sentimento na ação do outro. Um exemplo: Eu me senti cansada. Trata-se de mim, do meu sentimento.
Como identificar a linguagem da culpa? Quando eu lanço culpa no outro: Eu me senti provocada. Se eu me senti provocada porque alguém me provocou.
As vezes podemos não saber nominar nossos sentimentos e necessidades. Precisamos construir um vocabulário para que possamos ser mais assertivos com o outro. Uma possibilidade é permitir que o outro nos ajude a encontrar as nossas necessidades que as vezes não conseguimos enxergar

Necessidades
A nível de necessidades todos os serem humanos se compreendem, todos nós compartilhamos o mesmo rol de necessidades. O que muda o que fazemos para atender a uma necessidade e o quanto ela é significativa para nós em determinado momento. Como por exemplo a necessidade de descanso. Posso expressar meu cansaço gritando, com impaciência ou raiva (principalmente se estiver num nível intolerável para mim, ou seja, se eu estiver muito cansada). Ao mesmo tempo se eu estou com pouco cansaço ( se minha necessidade de descanso é atendida) as mesmas situações que eu vivo se tornam menos impactantes e não me desestabilizam emocionalmente.

Pedidos
São solicitações que podem ou não ser atendidas. O pedido deve ser claro, mensurável e possível de atender. Quando não estamos dispostos à ouvir um não, estamos fazendo uma exigência. Um exemplo de pedido envolvendo os outros quatro passos:
Eu não tenho dormido mais que seis horas na última semana. Estou me sentindo cansada e irritada. Minha necessidade de descanso está muito grande. Como seria para você vir direto do trabalho e ficar com as crianças para que eu pudesse descansar um pouco?

Em que pode ajudar as famílias?
Com ajuda da comunicação não violenta podemos ser responsáveis pelo que eu pensamos, sentimos e necessitamos. E isso nos livra da linguagem da culpa que é um peso cotidiano e bloqueia nossa compaixão. Outro ponto importante é deixar os nossos pensamentos e expressões exigentes em que o outro “deveria fazer” ou que ” eu mereço” e abrir espaços mais participativos para atender as necessidades em família. Quando tiramos das nossas casas a comparação e os julgamentos abrimos um caminho benéfico para as crianças construírem sua identidade e para a família como um todo. É uma oportunidade linda de trazermos para o lar espaços de criação coletiva para soluções de problemas.

Ariane Osshiro tem 34 anos de idade, é administradora por formação  e  facilitadora de Comunicação Não Violenta, é consultora do brincar e coach materna.  Mãe de um alegre garotinho, o Pedro, de 7 anos, que a fez mergulhar de cabeça no mundo da maternidade.   É devoradora de livros, prefere alimentos salgados aos doces, gosta de batom vermelho, sorrisos escancarados e de olhares que acolhem. Como muitas mães dessa geração, é uma apaixonada por informações e tenta trilhar um caminho de equilíbrio e lucidez na inebriante aventura de criar um filho. Aos 16 anos, descobriu a veia do empreendedorismo e, desde então, não parou mais de trabalhar. Com a maternidade, desejou dar novos rumos e um sentido diferente ao trabalho, relacionando-o a causas que dão significado para o que pensa e sente. Além disso, pela necessidade de aprender mais e de formar uma rede de contatos que pudesse combater o isolamento materno, tornou-se empreendedora social na Aldeia. Tem também a Ari Osshiro consultoria. Para entrar em contato: (67) 984091581

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